Fabricado na Inglaterra em fins do século XVIII
(1795), o Dona Paula atuara, inicialmente, como mercante da Companhia
das Índias Orientais, com o nome de Surathe Castle. A 3 de setembro de
1825, sob o comando do inglês Develon, aportava na Baía de Guanabara,
vindo de Londres, perfazendo 46 dias de travessia do Atlântico. Após
reformas, foi adaptado para a guerra, vindo a ser classificado como
fragata.
Não foi possível descobrir muitos detalhes sobre
navio, mas documentos existentes, sugerem que ela era idêntica a uma
nau, mas de menores dimensões e menor artilharia. Sua estrutura mais
esguia e elegante dava-lhe maior velocidade e melhor bolina (alcançava
mais marcha).
Segundo registro da Marinha brasileira, a fragata Dona
Paula fora armada com 36 canhões – uma fragata considerada ligeira,
tinha de 24 a 28.
Durante a guerra do Brasil e Argentina, em 1826, a força
brasileira, que se tornara sete vezes maior do que a argentina, perdeu
52 embarcações durante os combates, como foi o caso da fragata Dona
Paula.
Podemos afirmar que, de todos os sítios arqueológicos
submarinos do século XIX na região, o da Dona Paula é o mais
completo, apesar de já ter sido explorado várias vezes ao longo dos
anos.Nele, ainda podemos contemplar os canhões de ferro espalhados,
como também os projéteis esféricos fixados no leito submarino, entre
outros apetrechos atacados pela ação marinha.
Em 1889, isto é, 62 anos depois do naufrágio, um
português de nome Antônio Pereira, através de escafandria,
explorou o casco do navio, sob protestos das autoridades brasileiras,
pois o cônsul de Portugal no Rio de Janeiro concedera autorização
para que fosse explorado um outro navio, em outra região que possuía
nome semelhante, ou seja, a galera portuguesa Dona Maria Paula,
naufragada em 1828. Mas o corsário mal informado ou não,, passou a
explorar os destroços da fragata Dona Paula, retirando cerca de 60
quilos de prata, segundo a obra "Subsídios para a História Marítima
Brasileira.
O Museu Histórico Naval de Cabo Frio possui em seu
acervo várias peças do navio e alguns objetos que pertenciam a seus
tripulantes.