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O Fim do Isolamento
Antes do final do século
XIX, Cabo Frio ganhou a obra sempre sonhada por seus cidadãos: uma
ponte de ferro cruzando o Canal do Itajurú entre os morros da Guia
e do Telégrafo, mais tarde substituída pela ponte Feliciano
Sodré (1926). Assim, foi rompido o isolamento dos moradores da restinga,
responsável pela fraqueza do poder político e pela emancipação
de parte considerável do território original da antiga Capitania:
Macaé, Casimiro de Abreu, Saquarema, Araruama,
Rio Bonito, São Pedro da Aldeia e, no século
XX, Arraial do Cabo.
Em razão do adensamento
urbano e das epidemias que assolavam a região, a Câmara Municipal
canalizou a água potável da Fonte do Itajurú para
cinco bicas distribuídas entre o Largo da Matriz e a Passagem.
Um transporte mais eficiente, mais desenvolvimento
Até pouco mais
da metade do século XX, o parque salineiro de Araruama dominou a
produção econômica regional, cujos reflexos urbanos
foram a instalação do aparelhado Hospital Santa Izabel e
a atração da iniciativa privada para a exploração
do sistema de energia elétrica na cidade. No entanto, a atividade
pesqueira trazia novos investimentos à região, em especial
depois da introdução das traineiras na captura de pescado
em alto-mar.
Um transporte eficiente
fez-se necessário para fazer escoar a produção da
região até a capital da República e outros importantes
centros do país. Assim, foi construída a ferrovia Niterói-Cabo
Frio, foram feitas melhorias no porto do Arraial do Cabo e, posteriormente,
foi inaugurada a Rodovia Amaral Peixoto, contribuindo também
para o aumento da produção de sal. O auge do desenvolvimento
ocorreu na década de 60, com a instalação de duas
grandes usinas de beneficiamento de sal em Cabo Frio, e com a construção
do complexo industrial da Cia. Nacional de Álcalis, no Arraial do
Cabo, que abriu salinas e passou a extrair conchas na lagoa para a produções
de barrilhas. A crescente industrialização do município
atraiu numerosos trabalhadores de outras regiões do Brasil.
Potencial Turístico Emergente
No início da década
de 40, o Canal do Itajurú já havia sido dragado e retificado
para facilitar a navegação. A margem próxima à
barra estava ocupada por instalações portuárias, entrepostos
pesqueiros, armazéns de sal, fábrica de cal e estaleiros.
Mas uma nova atividade econômica começava na região.
Um clima excepcional,
uma natureza extremamente atrativa e diversas transformações
sócio-culturais estimulavam o lazer semanal e o turismo das "praias
de banho" em meados da década de 40. No começo, a região
foi ponto de atração de ricos aventureiros da Cidade do Rio
de Janeiro, de encontro social de poucos privilegiados e de praticantes
de esportes náuticos. Mas, com o passar do tempo, passou a se constituir
em local de atração turística para cariocas, mineiros
e paulistas, de instalação de casas de praia, de clubes náuticos,
de diversões noturnas, de hotéis e restaurantes e de serviços
comerciais e de abastecimento. A inauguração da Ponte Rio-Niterói,
em 1973, deu início à fase atual de turismo de massa.
Na década de
80, a descoberta e a exploração de petróleo na chamada
Bacia de Campos abriu nova frente de desenvolvimento regional. Os poços
extremamente produtivos, que se localizam em frente ao litoral cabofriense,
são responsáveis pelo pagamento de substanciais recursos
de "royalties" aos cofres dos Municípios.
No entanto, o parque
salineiro dá sinais de exaustão, ocasionada pela concorrência
do produto nordestino e pela especulação imobiliária
às margens da Lagoa de Araruama. Também a pesca está
sobrecarregada pelo esforço excessivo de captura e pela diminuição
da qualidade ambiental marinha.
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