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O Sal: crise e descoberta
Entre 1650 e 1660, houve
um grande desabastecimento do sal português no Brasil. Esta crise
chamou a atenção metropolitana para a cristalização
natural do produto na lagoa de Araruama.
Um novo impulso foi
dado à economia da região com a criação de
diversas salinas. É deste período a construção
da Igreja de N. Sra. da Assunção, o sobrado da Câmara
e a cadeia, que formavam o largo da Matriz, onde fincou-se o Pelourinho.
Em meados de 1660,
o interesse de investimentos consolidou-se na Cidade de Cabo Frio. A seguir,
os beneditinos receberam uma sesmaria urbana, dando origem ao bairro
de São Bento e, trinta anos depois, em 1696, os franciscanos inauguraram
o convento de N. Sra. dos Anjos, próximo à fonte do Itajurú,
no perímetro histórico do novo centro administrativo, religioso
e colonial.
O desenvolvimento urbano
de Cabo Frio novamente parou no final do século XVII. Para solucionar
a crise econômica instaurada, a Câmara passou a arrendar as
praias para pescaria de arrasto e a estimular a formação
dos antigos núcleos de povomento em Arraial do Cabo e em Búzios.
Foram construídos dois engenhos para a produção de
aguardente em Araruama e foi erguida, pelos jesuítas, a Fazenda
Campos Novos. Este tornou-se mais tarde um estabelecimento agropecuário
modelo e foco importante de colonização do atual Distrito
de Tamoios. Inicialmente a fazenda foi destinada à criação
de gado para o abastecimento de açougues cariocas e à lavra
de ouro das Minais Gerais.
O reerguimento econômico
No início
do séc. XVII, com o Forte de Matheus guarnecido e rearmado, a cidade
de Cabo Frio expandiu-se. A Igreja de N. Sra. da Assunção
foi aumentada e foram construídas a capela de N. Sra. da Guia, no
morro do Itajurú, e a Igreja de São Benedito, no largo da
Passagem. Na cidade de Cabo Frio viviam cerca de mil e quinhentos indivíduos
em 350 casas, enquanto que 10 mil habitantes espalhavam-se pela área
da capitania, metade destes constituída por escravos negros. Esta
expansão foi resultado de várias atividades econômicas
de sucesso, cujos produtos eram exportados para o Rio de Janeiro, em geral
pela barra de Araruama.
Na agricultura, destacavam-se
as culturas de anil, coxonilha, legumes, cana-de-açúcar,
mandioca, feijão e milho. A Fazenda Campos Novos teve papel de destaque
no sucesso destas atividades agrícolas e na criação
de gado.
A pesca também
foi de grande importância neste período. Em Arraial do
Cabo florescia a pesca de arrasto e foi constituída a vila de
N. Sra. dos Remédios. Na Armação de Búzios,
entre 1720 e 1770, caçavam-se baleias e manufaturava-se o óleo.
Nas pescarias de alto mar e no interior da lagoa capturavam-se peixes e
camarões. Além disso, nos barreiros e olarias eram produzidos
tijolos e telhas e nas florestas e serrarias derrubavam-se madeiras nobres
para a fabricação de grande número de taboados.
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